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Como debater sobre ambientes inclusivos com discursos de diversidade tão radicais?

06/12/2017

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar. “ Nelson Mandela

Ao zapear as redes sociais, ultimamente, temos nos deparado com muitos posts sobre Diversidade. O que nos chama a atenção é que muitos deles tem uma abordagem bastante polarizada e agressiva quando reivindicam por mais inclusão nas empresas e sociedade. O que queremos dizer com isso, é que quando se colocam na defesa de determinados grupos ou minorias, precisam se posicionar de forma radical e ofensiva e, muitas vezes, acabam agindo da mesma forma daqueles que tanto criticam. Mas se o movimento é de inclusão, como fazer com que o ódio não seja praticado no reverso? Estamos nos vingando porque agora temos voz?

Mandela quando assumiu a presidência da África do Sul em 1995, lutou muito para que os negros não agissem dessa maneira contra os brancos que estavam no poder. Ao contrário, atuou como um líder inclusivo. Correu riscos ao convidar negros e brancos para que juntos, fizessem a construção de um único país, evitando que entrassem em uma guerra civil, como aconteceu em muitos outros países africanos. Provavelmente esse tenha sido um dos maiores legados deixado por ele.

Como seres humanos, independente de raça ou gênero, precisamos fomentar o autoconhecimento para termos noção do quanto nossas ações podem ou não gerar um ambiente inclusivo, ao invés de sermos reféns de nossos Vieses Inconsciente, criadores de obstáculos a nossa evolução e mudança.

Isso nos faz lembrar de um mecanismo de defesa presente em todo o comportamento humano e que precisa ser transformado: a Identificação com o agressor*. Sendo simples sem ser simplista, refere-se a quando por ansiedade, imitamos aqueles que nos prejudicam. Paradoxalmente, os indivíduos personificam o agressor, transformando-se naquele ameaçado para aquele que ameaça.

Convidamos você a uma reflexão final: o quanto o 'diferente' pode representar uma ameaça às suas verdades e à segurança que elas proporcionam ou, de fato, somar à sua vida pessoal ou profissional ampliando sua visão de mundo?

* A expressão Identificação com o agressor, foi criado por Sandor Ferenczi e logo retomada por Anna Freud, dois psicanalistas.


“Um ambiente INCLUSIVO precede DIVERSIDADE”

Por Andrea Lomando e Claudia Cavalcante